sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Um quarto e mil recordações
Fui para meu antigo quarto, tomei um banho bem
demorado e me preparei para o almoço. Enquanto penteava o cabelo em frente ao
grande espelho, senti arrepios percorrerem meu corpo. Ao invés do quarto me
trazer lembranças de minha infância e adolescência, só me trouxeram recordações
das semanas que passei ali, depois de ter voltado da Itália. Foi uma época em
que tentei fugir da realidade e da dor que me oprimia e dilacerava. Girei o
corpo e meus olhos percorreram todos os lugares do cômodo. Era como se eu
conseguisse me assistir ali. Via uma garota fragilizada,
rolando na cama sem conseguir ter uma única noite tranquila de sono. Via
a garota sem rumo chorar pelos cantos, se perguntando como pôde acreditar nas
palavras de um homem falso, o qual levara consigo todas as suas forças. Perto
da janela, as notas do violão enchiam o quarto com uma melodia tão triste
quanto o semblante de sua compositora. Vi a garota socar a parede,
tentando lutar contra o que sentia. Querendo esmagar as
lembranças de um passado que estava marcado na sua pele, em forma de tatuagem...
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