Se houvesse apenas um segundo na terra em que eu pudesse ser qualquer pessoa eu com certeza seria eu mesma...
Não sei se teria algo ou alguém que eu gostaria de ser além de eu mesma, mas quando eu digo eu mesma, quero dizer EU MESMA DE VERDADE. porque a cada dia que passa eu tenho que interpretar um personagem diferente para não pirar, tenho que viver nesse imenso teatro IDIOTA para não ficar sozinha, e isso cansa tanto... São poucas as pessoas com quem eu posso ser realmente eu mesma e saberei que esta não irá me julgar...
Julgamentos são tão incompletos, são tão vagos e as pessoas continuam julgando...
E essa velha mania das pessoas querer ser algo que elas jamais serão...
Então mando logo todos irem à MERDA! E assim termino...
- Mayara Kubota
Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.... de Sócrates
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ResponderExcluirSÁBADO, 20 DE FEVEREIRO DE 2010
Por trás das máscaras sociais
Desde o início da civilização humana, os papéis sociais foram predeterminados na vida de cada um: papel de marido, esposa, pai, mãe, filho, profissional etc. Conviver socialmente, muitas vezes, não é missão simples nem prazerosa. É preciso se adequar e até abdicar, em alguns momentos, do que realmente somos para conquistar boa imagem diante dos olhares alheios. A cada relação estabelecida, somos cobrados pela maneira de agir, de pensar; assim como, mesmo inconscientemente, também esperamos que o outro nos satisfaça.
Há exigências no comportamento profissional, na relação com os familiares, com os amigos e vizinhos. Usamos “máscaras sociais” em nome do reconhecimento e admiração no convívio cotidiano. Diariamente nos rendemos a opiniões que muitas vezes discordamos e nos queixamos às escondidas sem propor um ponto de vista diferente, que inclusive, poderia ser melhor do que as normas obedecidas. Até que ponto devemos vestir essas fantasias impostas e sacrificar nossos próprios desejos? Diante de tantos padrões de comportamento, em que lugar está a nossa personalidade?
Desde o nosso nascimento, recebemos investimentos necessários para a nossa constituição. Este desejo vindo do outro irá instaurar-se em nosso inconsciente, permitindo o surgimento de identificações em nossos relacionamentos que irão moldar a personalidade de cada um. Passamos então a ter a percepção de como nós somos, através da autoavaliação global, de como os outros no vêem e, por fim, de como somos de fato, ou seja, a nossa personalidade. A percepção distorcida em alguma dessas esferas poderia estar trazendo comprometimento psíquico para o sujeito. O importante é perceber-se e, ao entrar em sofrimento, buscar ajuda psicológica.
Às vezes, não nos damos conta de que levamos ao pé da letra os limites dos papéis sociais e cristalizamos nossa mente. Quem na infância nunca brincou de ser um super-herói, ou nas brincadeiras de “casinha” não assumiu o papel da mãe, professora, médica. A questão é que quando nos desenvolvemos, temos que assumir um único papel. Se somos adolescentes, temos que ser responsáveis e obedientes. Quando atingimos a idade adulta, temos que ter um objetivo já traçado e ir em busca dele.
Existe uma guerra entre aquilo que nossas pulsões desejam e o que a sociedade exige. E para interagir em sociedade e viver de acordo com as expectativas externas, o sujeito percebe que precisa frear seus impulsos e desejos, através de uma série de estratégias e mecanismos de defesa. É preciso ser realista e aceitar que nunca será possível ser e ter aquilo que nossos mais profundos desejos ordenam, mas o outro extremo também é prejudicial; o sacrifício pelo bom conceito diante da sociedade não pode ultrapassar limites, gerando angústia e sofrimento.
Diante do rebuliço de obrigações, responsabilidade e limitações, existe um ser humano tentando sobreviver na busca pela adaptação. Desta forma, os papéis sociais são importantes, sim. Mas cabe a cada um de nós o reconhecimento das diversas possibilidades e a busca pelo equilíbrio entre aquilo que queremos e o que querem de nós. Caso contrário, estaremos eternamente estagnados e aprisionados em nossas máscaras.
Postado por rg.psicanalise às 13:49